Nos últimos
meses de 1968 vivia-se tempos conturbados: No rescaldo
da Revolução de Maio - movimento de contestação
protagonizada por estudantes em Paris - havia em
Portugal uma grande agitação no meio universitário, onde
se reivindicava liberdade de expressão e eleições
livres. Na Ásia, a Guerra do Vietname estava ao rubro;
na Europa, o sentimento de indignação era generalizado,
face a invasão
da antiga Checoslováquia pelas tropas soviéticas.
Entretanto,
na Escola Salesiana do Estoril, inicia-se mais um ano
lectivo. Apesar de todo o alvoroço social e político que
se via e se ouvia na comunicação social, um pequeno
grupo de jovens alunos tem, naquela altura, outra
prioridade: iniciar o Escutismo na escola.
A iniciativa
mereceu a simpatia da Escola Salesiana e, após serem
facilitadas duas salas para servirem de sede do futuro
agrupamento, deu-se início às actividades típicas
escutistas visando a preparação dos rapazes para a
cerimónia de promessas, então marcadas para o dia de
D.Bosco – 31 de Janeiro de 1969. Essa data, nos anos
seguintes, passou a ser comemorada como o aniversário do
Agrupamento 75.
Os primeiros
dez anos de vida do Agrupamento foram vividos com muito
entusiasmo, é certo, mas de uma maneira algo tímida, se
compararmos com os padrões actuais: apenas dois
dirigentes qualificados em cursos de formação, um
efectivo de algumas dezenas de crianças e jovens e a
maioria dos acampamentos eram realizados na mata da
escola e na Serra de Sintra.
Foi a partir
da década de ’80 que o agrupamento deu o grande salto.
Iniciou-se uma aposta séria no recrutamento e formação
dos responsáveis adultos, o efectivo ultrapassa pela
primeira vez a barreira dos 100 elementos, investiu-se
na aquisição de material específico para eventos
outdoor e, pouco a pouco, as actividades tornaram-se
mais arrojadas – mais acampamentos e cada vez mais
longe, de
Norte a Sul do país e em conjunto com outros
agrupamentos, outras realidades.
Em finais
dessa década, o agrupamento já participara de dois
Acampamentos D.Bosco (evento que reúne os agrupamentos
salesianos
do país) e dois Acanac’s (acampamentos nacionais); a
nível de secções, pioneiros e caminheiros aventuraram-se
em actividades de montanha nos Pirinéus e Serra Nevada.
Na década de
’90 deu-se, por assim dizer, a internacionalização das
actividades do agrupamento: pioneiros e caminheiros
participaram
de acampamentos organizados por associações escutistas
em Inglaterra e Áustria; actividades de montanha no
Mont Blanc e Picos da Europa; actividade de
apoio ao Escutismo em São Tomé e Príncipe; peregrinação
a Santiago de Compostela. Os lobitos não ficaram
atrás e estrearam-se internacionalmente indo à
Eurodisney. A nível de agrupamento, realizaram-se dois
Acagrup’s (acampamentos de agrupamento) fora do país:
Ilha de Brownsea (Inglaterra) e Kandersteg (Suíça). O
“75” também fêz-se representar em dois Jamborees
(acampamento mundial de escuteiros): em Dronten
(Holanda) e Picarquín (Chile).
A partir do
ano 2000, o “75” muda-se para uma nova sede, construída
de raiz para o efeito, graças à inegável generosidade da
Escola Salesiana para com o agrupamento. Os padrões de
qualidade educativa do agrupamento consolidam-se cada
vez mais e as grandes actividades – dentro e fora do
país – continuam a bom ritmo. O lema do Escutismo
“Sempre Alerta para Servir” manifesta-se em várias
actividades e iniciativas de serviço ao próximo. As
nossas relações com os órgãos autárquicos continuam
próximas, assim como a interacção com a Escola
Salesiana, a Paróquia do Estoril e a CPP (Comissão
Permanente de Pais).
Estamos a
comemorar 40 anos de existência! Ao olharmos para trás,
nos damos conta que muitas centenas de jovens tiveram
grandes experiências connosco. Outros tantos animadores,
voluntariamente, deram o máximo de si para ajudá-los a
crescer, a incutir-lhes
valores. Poderíamos ter feito mais? Talvez sim, afinal o
lema do Agrupamento 75 é – “Fazer hoje melhor que
ontem e amanhã melhor
que hoje.”